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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Nunca Reaja... Mas como obedecer?

Há algumas semanas, numa segunda-feira (Tinha que ser não é?) chuvosa, estava voltando da aula, já eram 22h20min, e estava esperando pelo ônibus, até que me cansei de esperar pela condução e resolvi ir a pé para casa... Não tinha caminhado nem 300 metros, e um cara de bicicleta, me abordou e perguntou se eu tinha fogo, respondi ao sujeito que não, foi quando ele anunciou o assalto...
Eu como já estava puto da minha vida, pois estava com frio, com o casaco úmido por causa da chuva que caia, e para piorar ainda havia perdido o guarda-chuva, e a droga do ônibus não vinha (Típico)... Daí eu faço a seguinte pergunta: Por que quando mais se precisa do transporte publico, ele atrasa e acaba nos deixando na mão?  Esta aí, uma coisa da qual eu gostaria de saber...
Mas como estava dizendo, já estava com tanta raiva (que estava a ponto de esganar alguém), pois não me assustei e nem dei credito para o assaltante, tanto é que virei para ele e respondi: “Que assalto, o que... Vai à merda”.
Virei e estava indo próximo a subida de um viaduto, quando percebi que o cara virou a bicicleta, e estava vindo atrás de mim... Então vi que havia uma pedra de Basalto bem grande, que estava solta ali perto, e não tive dúvidas... Agarrei a pedra e me virei em direção ao cara para atira-la... Acho que ele percebeu que eu não estava com medo, e que a pedra ia voar na direção dele...  Ele pegou a bicicleta e sumiu mais do que depressa...
Quando cheguei... Bufando de raiva, decidi despejar o que tinha acontecido em uma Rede Social (Péssima ideia).
Claro que muitos dos meus amigos, me deram apoio e deram graças a Deus que não tenha acontecido nada de grave comigo, mas assim como tem as pessoas que se preocupam com teu bem estar, também tem algumas pessoas que ficam ou devem ficar achando que somos idiotas, só pode... E nos dizem a coisa mais óbvia do mundo (Que nunca devemos reagir a um assalto), o que me deixa com mais raiva ainda, nestas situações, vou explicar por que:
Às vezes a gente sem querer, age no automático e toma algumas decisões sem pensar nas consequências, o que não é o meu caso, definitivamente... Pois tenho hábito de andar prestando atenção, em todos os lugares por onde passo e naquele dia, quando o cara me abordou eu já havia percebido que ele estava desarmado, por este motivo foi que peguei a pedra, mas caso a situação fosse outra, com certeza não teria agido desta forma.
Só que o que me deixa irritado... É que muitas pessoas, têm o péssimo hábito de nos julgar, sem saber o porquê tomamos determinadas ações...  Só que não passa pela cabeça destas criaturas que cada pessoa age de forma diferente... Ok... Assumo e admito... Tomei a decisão errada, e não deveria ter reagido, porque o cara poderia estar armado e blá, blá, blá...
Mas só digo o seguinte: Antes de ficarem julgando e de ficar nos dizendo o que e como deveríamos ter agido... Primeiro passem pela situação, para depois vir dar opinião sobre como deveríamos agir, pois como eu disse anteriormente, nós nunca podemos dizer: Ah, se isso acontecesse comigo eu agiria de tal forma... Por que não temos a menor noção de que maneira vamos reagir, até vivenciarmos qualquer tipo de acontecimento, sejam eles bons ou ruins.
Quaisquer que sejam as experiências pelas quais a gente passe na vida, sejam elas boas ou não, vão nos servir como aprendizado, para que consigamos tentar evitar que estas situações, aconteçam novamente (praticamente impossível, pois para correr riscos, basta estarmos vivos).
Graças a Deus, tudo correu bem, tive muita sorte e acredito que meu Anjo da Guarda, deve fazer plantão permanente (Ainda bem!).
Só penso que antes de querer dizer para alguém como agir, devemos antes, nos colocar no lugar de quem passou pela experiência, e analisar como seria, se nós tivéssemos passado por isto...
Sem Achismos (Tendência em avaliar as situações segundo as próprias opiniões ou intenções, muitas vezes sem justificação)... Por Favor!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nunca Subestime a Força da Natureza...

Vou contar um fato que aconteceu comigo, com o qual aprendi muito, e que me serviu como um grande aprendizado e lição.

Há alguns meses, me mudei para Manaus, com o objetivo de me estabelecer por lá definitivamente, pois não estava satisfeito com o rumo que minha vida estava levando, então resolvi deixar a “Zona de Conforto” deixando tudo o que conhecia para trás... Tinha uma empresa registrada, com CNPJ e tudo como manda o figurino, mas não estava contente com a situação, pois o volume de atendimentos estava caindo e não estava conseguindo obter novos clientes, e isto estava me deixando muito preocupado, devido ao fato de a concorrência estar muito acirrada e também por não ter a experiência suficiente para poder administrar a empresa com eficiência.

Sempre me adaptei rapidamente a mudanças, nunca tive medo de me arriscar, de largar tudo e mudar de ares, ambiente, de conhecer lugares novos e novas pessoas... Então surgiu a oportunidade de ir para Manaus... Dei baixa no CNPJ, fechei a empresa e me mudei “de mala e cuia” para lá, mas como não conhecia ninguém e possivelmente, teria que arranjar um lugar para ficar assim que chegasse, acabei aproveitando a vinda de meu irmão, que veio de férias para cá e fui com ele para Manaus, fiquei morando com eles, até que pudesse estabilizar minha situação e arranjar um lugar para morar.

Tudo estava indo muito bem... Estava conhecendo um lugar totalmente diferente de tudo o que conhecia, estava correndo atrás de novas oportunidades, conhecendo lugares e pessoas novas, como se diz: Estava me ambientando a nova realidade. Então... Voltando à história... Estava conseguindo me adaptar muito bem, já conhecia alguns lugares, conseguia me deslocar e andar sozinho por lá, sem precisar que me levassem para cima e para baixo... Já estava tão familiarizado com Manaus e com as pessoas de lá, que até parecia que tinha nascido e me criado lá. Mas como só via meu irmão e minha cunhada mais tarde, não tínhamos a oportunidade de sairmos juntos com muita frequência, só ficávamos mais tempo juntos, nos finais de semana.

Então em um final de semana, minha cunhada e meu irmão, como eu não saia muito com eles, resolveram me levar a uma praia de água doce, no meio da floresta, no Município de Presidente Figueiredo.  Saímos pela manhã, para voltar à tarde no mesmo dia, pois como era domingo, não queríamos perder o dia, viajando horas dentro do carro... Tomamos café em um restaurante, próximo à rodovia e depois seguimos viagem... Chegamos lá umas 09h30min da manhã, e fiquei maravilhado com o lugar, pois lá tem uma cachoeira, onde se formaram piscinas naturais na rocha e na qual para chegar tínhamos que andar por dentro da floresta, muito bonito... Ficamos até umas 14h00min, quando decidimos sair de lá para almoçar, pois não tinha restaurante (pois estávamos no meio da floresta). Então fomos para um município que fica a uns 20 minutos de carro de lá, para podermos almoçar...

Depois do almoço, fomos à outra praia de água doce, que ficava bem pertinho para passar o resto da tarde dentro da água, antes de voltarmos para casa, e neste local não tinha cachoeira, mas tem uma corredeira onde as pessoas faziam rafting enquanto que algumas desciam na tirolesa.

Foi então que o esperto aqui resolveu atravessar de uma margem a outra a nado (+- 50m de uma margem a outra... meu irmão me avisou deste risco, e ainda falei para ele: Ah, to acostumado com água do mar que é muito mais perigosa, tu acha que este riozinho vai me pegar?), só que como havia chovido muito forte durante vários dias antes, o nível de água e a velocidade da correnteza estavam muito fortes, e não foi possível chegar até lá, então pensei: É, não vai dar para chegar até lá... Melhor voltar antes que dê merda... 

Quando me virei para voltar, vi que meu irmão estava começando a ser levado pela água... Então bateu o desespero, fiquei de pé em uma pedra do leito do rio e fui tateado o caminho com os pés, para poder chegar mais perto e ajudar meu irmão e para não cair em um buraco e ser levado pela água... Só que quando estava me aproximando dele, não consegui ouvir, (por causa do barulho da água que era ensurdecedor) quando ele falou: “Fica ai que eu consegui me segurar em uma pedra”. O Inteligente aqui foi inventar de chegar mais perto, para tentar escutar o que ele falava, e acabei escorregando em uma pedra com limo e fui para a galera (nessa hora acho que o Papai do Céu deve ter dito: Ah é, então tu ta pensando que pode comigo é? Então vai filho, para ver se tu aprendes...). Ou seja, ao invés de impedir que meu irmão fosse levado pela correnteza, quem fez o rafting sem nenhum equipamento fui eu... 

Dei sorte de NÃO TER ENTRADO EM PÂNICO, ter pensando rápido e ter posto as mãos na frente do rosto, ou teria batido com a cabeça, em uma pedra no fundo... Fui levado pela correnteza, e nessa hora senti a real força da natureza... Engoli acho que uns 20 litros de água, e enquanto estava em meio ao turbilhão, vi passar diante dos meus olhos, toda minha vida em alguns segundos... Até que consegui passar por uma parte do rio, onde a correnteza estava mais fraca e consegui me segurar em uma pedra e finalmente sair.

Fui para a margem do rio e caminhei de encontro a eles, branco que nem um fantasma, com um pequeno corte e uma dor insuportável no joelho, mas fora o susto estava bem... Lembro que a primeira coisa que fiz quando sai da água, foi olhar para o céu e falar: OBRIGADO PAI, por esta LIÇÃO DE HUMILDADE! Encontrei com meu irmão e minha cunhada, que me olharam com uma expressão, mistura de susto e alívio ao mesmo tempo. 

Depois eles me contaram, que quando eles viram a água me carregar, minha cunhada ficou sem saber o que fazer, até que gritou: Pelo Amor de Deus, alguém ajuda aqui que ele não esta acostumado com o rio, e a água pode leva-lo (referindo-se ao meu irmão, que tinha ficado agarrado na pedra), então dois rapazes entraram na água,  o pegaram pelos braços e o tiraram de lá... Nisto uma senhora que estava sentada na margem falou: “Melhor tirar este daí, porque o outro já foi...” E a única coisa que consegui falar quando os encontrei fora da água foi: “Só não conta nada para a mãe".

Saldo da aventura... Pernas e braços lanhados e arranhados, um calção com o fundilho rasgado e um joelho inchado e que não consegui dobrar por uns 04 dias, mas fora isto tudo bem, Graças a DEUS...

Algumas semanas depois, recebi uma proposta de trabalho (que não deu certo) e acabei retornando para o Sul, mas isso é uma outra história... É meus amiguinhos, como já tinha falado antes, volto a repetir: NUNCA SUBESTIME A FORÇA DA NATUREZA...