Vou contar um fato que
aconteceu comigo, com o qual aprendi muito, e que me serviu como um grande
aprendizado e lição.
Há alguns meses, me mudei
para Manaus, com o objetivo de me estabelecer por lá definitivamente, pois não
estava satisfeito com o rumo que minha vida estava levando, então resolvi
deixar a “Zona de Conforto” deixando tudo o que conhecia para trás... Tinha uma
empresa registrada, com CNPJ e tudo como manda o figurino, mas não estava
contente com a situação, pois o volume de atendimentos estava caindo e não
estava conseguindo obter novos clientes, e isto estava me deixando muito
preocupado, devido ao fato de a concorrência estar muito acirrada e também por
não ter a experiência suficiente para poder administrar a empresa com
eficiência.
Sempre me adaptei
rapidamente a mudanças, nunca tive medo de me arriscar, de largar tudo e mudar
de ares, ambiente, de conhecer lugares novos e novas pessoas... Então surgiu a
oportunidade de ir para Manaus... Dei baixa no CNPJ, fechei a empresa e me
mudei “de mala e cuia” para lá, mas como não conhecia ninguém e possivelmente,
teria que arranjar um lugar para ficar assim que chegasse, acabei aproveitando
a vinda de meu irmão, que veio de férias para cá e fui com ele para Manaus, fiquei
morando com eles, até que pudesse estabilizar minha situação e arranjar um
lugar para morar.
Tudo estava indo muito
bem... Estava conhecendo um lugar totalmente diferente de tudo o que conhecia,
estava correndo atrás de novas oportunidades, conhecendo lugares e pessoas
novas, como se diz: Estava me ambientando a nova realidade. Então... Voltando à história... Estava conseguindo me adaptar muito bem, já conhecia alguns lugares,
conseguia me deslocar e andar sozinho por lá, sem precisar que me levassem para
cima e para baixo... Já estava tão familiarizado com Manaus e com as pessoas de
lá, que até parecia que tinha nascido e me criado lá. Mas como só via meu irmão
e minha cunhada mais tarde, não tínhamos a oportunidade de sairmos juntos com
muita frequência, só ficávamos mais tempo juntos, nos finais de semana.
Então em um final de
semana, minha cunhada e meu irmão, como eu não saia muito com eles, resolveram
me levar a uma praia de água doce, no meio da floresta, no Município de
Presidente Figueiredo. Saímos pela
manhã, para voltar à tarde no mesmo dia, pois como era domingo, não queríamos
perder o dia, viajando horas dentro do carro... Tomamos café em um restaurante,
próximo à rodovia e depois seguimos viagem... Chegamos lá umas 09h30min da
manhã, e fiquei maravilhado com o lugar, pois lá tem uma cachoeira, onde se
formaram piscinas naturais na rocha e na qual para chegar tínhamos que andar
por dentro da floresta, muito bonito... Ficamos até umas 14h00min, quando
decidimos sair de lá para almoçar, pois não tinha restaurante (pois
estávamos no meio da floresta). Então fomos para um município que fica a uns 20
minutos de carro de lá, para podermos almoçar...
Depois do almoço, fomos à
outra praia de água doce, que ficava bem pertinho para passar o resto da tarde
dentro da água, antes de voltarmos para casa, e neste local não tinha
cachoeira, mas tem uma corredeira onde as pessoas faziam rafting enquanto que algumas desciam na tirolesa.
Foi então que o esperto aqui resolveu
atravessar de uma margem a outra a nado (+-
50m de uma margem a outra... meu irmão me avisou deste risco, e ainda falei
para ele: Ah, to acostumado com água do mar que é muito mais perigosa, tu acha
que este riozinho vai me pegar?), só que como havia chovido muito forte
durante vários dias antes, o nível de água e a velocidade da correnteza estavam
muito fortes, e não foi possível chegar até lá, então pensei: É, não
vai dar para chegar até lá... Melhor voltar antes que dê merda...
Quando me
virei para voltar, vi que meu irmão estava começando a ser levado pela água...
Então bateu o desespero, fiquei de pé em uma pedra do leito do rio e fui
tateado o caminho com os pés, para poder chegar mais perto e ajudar meu irmão e
para não cair em um buraco e ser levado pela água... Só que quando estava me
aproximando dele, não consegui ouvir, (por causa do barulho da água que era
ensurdecedor) quando ele falou: “Fica ai que eu consegui me segurar em uma
pedra”. O Inteligente aqui foi inventar de chegar mais perto, para tentar escutar o
que ele falava, e acabei escorregando em uma pedra com limo e fui para a galera
(nessa hora acho que o Papai do Céu deve ter dito: Ah é, então tu ta pensando
que pode comigo é? Então vai filho, para ver se tu aprendes...). Ou seja, ao
invés de impedir que meu irmão fosse levado pela correnteza, quem fez o rafting sem
nenhum equipamento fui eu...
Dei
sorte de NÃO TER ENTRADO EM PÂNICO,
ter pensando rápido e ter posto as mãos na frente do rosto, ou teria batido
com a cabeça, em uma pedra no fundo... Fui levado pela correnteza, e nessa hora
senti a real força da natureza... Engoli acho que uns 20 litros de água, e enquanto
estava em meio ao turbilhão, vi passar diante dos meus olhos, toda minha vida
em alguns segundos... Até que consegui passar por uma parte do rio, onde a correnteza
estava mais fraca e consegui me segurar em uma pedra e finalmente sair.
Fui para a margem do rio e
caminhei de encontro a eles, branco que nem um fantasma, com um pequeno corte e uma dor
insuportável no joelho, mas fora o susto estava bem... Lembro que a primeira
coisa que fiz quando sai da água, foi olhar para o céu e falar: OBRIGADO PAI, por esta LIÇÃO DE HUMILDADE!
Encontrei com meu irmão e minha cunhada, que me olharam com uma expressão, mistura
de susto e alívio ao mesmo tempo.
Depois eles me contaram, que quando eles viram
a água me carregar, minha cunhada ficou sem saber o que fazer, até que gritou:
Pelo Amor de Deus, alguém ajuda aqui que ele não esta acostumado com o rio, e a água
pode leva-lo (referindo-se ao meu irmão, que tinha ficado agarrado na pedra),
então dois rapazes entraram na água, o pegaram pelos braços e o tiraram de lá... Nisto uma
senhora que estava sentada na margem falou: “Melhor tirar este daí, porque o
outro já foi...” E a única coisa que consegui falar quando os encontrei fora da
água foi: “Só não conta nada para a mãe".
Saldo da aventura... Pernas
e braços lanhados e arranhados, um calção com o fundilho rasgado e um joelho
inchado e que não consegui dobrar por uns 04 dias, mas fora isto tudo bem,
Graças a DEUS...
Algumas semanas depois, recebi uma proposta de trabalho (que não deu certo) e acabei retornando para o Sul, mas isso é uma outra história... É meus amiguinhos, como já tinha falado antes, volto a repetir: NUNCA SUBESTIME A FORÇA DA NATUREZA...
Algumas semanas depois, recebi uma proposta de trabalho (que não deu certo) e acabei retornando para o Sul, mas isso é uma outra história... É meus amiguinhos, como já tinha falado antes, volto a repetir: NUNCA SUBESTIME A FORÇA DA NATUREZA...
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